Desvende-me Uma corda distante Do lado de fora está esquecida Uma necessidade constante
de se dar bem e o animal acorda E tudo que eu sinto é preto e branco
A estrada é longa as memórias deslizam para minha completa ruína eu ponho de lado eu me afasto
eu empurro para longe para sobreviver por cada dia e tudo que eu sinto é preto e branco e estou machucada, feridas pequenas e apertadas E eu não sei quem eu sou
Todos te amam quando você está bem Todos te odeiam quando você está chateada Todos estão esperando pela sua entrada então não os decepcione
Obs.: este texto foi escrito em 2004, então o "algo ruim" que cito, aconteceu nessa época.
Podemos transformar todos os nossos sonhos em realidade, ou em um filme, na pior das hipóteses. Mas eu acho que mesmo num filme, onde procuramos expor somente o que achamos bom, não seria possível retratar todos os nossos sonhos. Ainda mais se você é aquariano como eu, que vive sonhando, mas com o pé no chão. Conheço muito aquariano que pensa que a vida é um show. Sim, a vida é um show, e a platéia é exigente, e tudo que aqui se faz, aqui mesmo se paga. Ou se preferirem: toda ação tem uma reação. Se você faz algo bom, repercute em algo bom, se faz algo ruim, nem preciso terminar o racioncínio... Mas acho que no meu filme, eu colocaria sim, coisas que fossem ruins também. Para que as pessoas pensassem que não sou perfeito, que erro e acerto. Mas as coisas ruins não são porque, como citei antes, fiz algo ruim. São para mostrar que mesmo com atrocidades e passagens não tão agradáveis, temos que tirar algo de bom. É assim que aprendemos e foi o que meus pais me ensinaram. Escrevi isso tudo porque hoje não estou me sentindo bem. Não é nada relacionado à dores, mas é algo que repercutiu mal porque, infelizmente, eu fiz algo de errado e, agora, veio a repercussão ruim. Mas vou tentar, de qualquer forma transformar isso em coisa boa. Aí é que está a mágica: fazer algo ruim e conseguir transformá-lo em algo bom. Receita? Tirando algo de bom desta coisa toda ruim. Não é difícil. Já ouviram falar de arrependimento? Pois é, esse é o caminho. Caminho invariável quando se quer reverter o efeito de algo. E olha só, se eu fizer um filme sobre minha vida, farei questão de colocar esse "algo ruim", e no final, como em todo o filme, repercutirá em "algo bom" ou, melhor dizendo, no "final feliz".
foto por Marcos Ciccone: Palmeiras do Circo Voador, Rio de Janeiro
Quer caminhos mais sinuosos do que os do clipe do Snow Patrol (Open Your Eyes)?
...ou caminhos mais controversos semelhantes aos do poema de Bugalho?
Caminhos
Para quê, caminhos do mundo, Me atraís? — Se eu sei bem já Que voltarei donde parto, Por qualquer lado que vá.
Pra quê? — Se a Terra é redonda; E, sempre, tem de cumprir-se A sina daquela onda Que parece vai sumir-se,
Mas que volta, bem mais débil, Ao meio do lago, onde A mãe, gota d'água flébil, Há muito tempo se esconde.
Pra quê? — Se a folha viçosa Na Primavera, feliz, Amanhã será, gostosa, Alimento da raiz.
Pra quê, caminhos do mundo? Pra quê, andanças sem Fim? Se todo o sonho profundo Deste Mundo e do Outro-Mundo, Não 'stá neles, mas em mim.
Esperamos todos os dias. Esperamos até para nascer. Esperamos a vida inteira para morrer. Esperamos para receber nossos ordenados. Esperamos para nos alimentar e nutrir nosso organismo que espera pra que isso aconteça quando tivermos tempo.
Tempo. Dizem que o tempo é o senhor da razão. Que todas as coisas têm seu tempo. Que no meu tempo era assim, e que no seu tempo já não é mais. Que temos que dar tempo ao tempo. Que quando não amamos mais e não temos coragem para dizer, pedimos para dar um tempo. A esperança cabe no tempo. O tempo já não harmoniza mais com a esperança. Entre se harmonizar e esperar pelas coisas, persiste o medo em estarmos fazendo algo errado. Ou não. Se é certo ou não somente o tempo vai dizer. Muitas das vezes, a esperança se mistura com o tempo. E em outras, eles parecem ser a mesma coisa. Entre esperança, tempo, medo e anseio, dos quais todos pertencem à mesma classe, eis o que temos que é ter tempo e esperança para questionar: Será que ainda há tempo para a esperança?